A bolinha de gude, era onde eu me destacava, adorava quando a molecada chegava para brincar, corria a pegar minha lata de "leite ninho", cheinha de "peteca"( era como chamávamos a bolinha de gude na época), é certo que nem sempre ganhava, de vez em quando perdia, porém tratava logo de recuperar o que havia perdido e ficava toda orgulhosa de mim mesma.
O futebol me fascinava (não que eu fosse grande coisa jogando, muito pelo contrário...rsrsrsr), sempre jogávamos à tardinha; tinha toda uma preparação: vestia uma camisa surrada do "Mengão" (claro), uma bermuda qualquer, colocava um boné velho, com a aba voltada para trás, a bola debaixo do braço e saia de casa em casa em busca de jogadores (percebam que eu que ia atrás dos jogadores....kkk).
Com o time formado, começávamos um jogo nada técnico, com muitas confusões e algazarras e pra variar sempre acabava em nada ...mas o que valia mesmo, era aquela sensação de satisfação, de alegria incontida depois de fazer o que se gosta.
Minha infância foi assim: com alegres brincadeiras e momentos inesquecíveis, que levarei para o resto da minha vida, momentos maravilhosos, vividos...no palco da minha infância.
sábado, 7 de julho de 2012
O palco da minha infância
No caminho para o trabalho, observo a cidade acordando, espreguiçando-se languidamente, preguiçosamente; abrindo caminho para a agitação da manhã ensolarada, onde homens e mulheres preparam-se para mais um dia de labuta diária.
Ao longo do caminho, encontro jovens, pais e mães de família, que assim como eu, também acordam cedo para ir ao trabalho, à escola ou mesmo para dar uma boa caminhada matinal.
De vez em quando, sinto no ar o cheiro gostoso do café fresquinho, feito na hora; nada melhor que tomar uma xícara de café antes de sair para o trabalho...! Percebo nos rostos das pessoas, a satisfação, olhares alegres, passos firmes que os levam a um compromisso diário, compromisso este que garante o alimento em sua mesa e lhe confere a certeza da própria dignidade.
Talvez possa parecer nostálgico, mas ao ver crianças indo para a escola, com seus uniformes arrumadinhos, com mochila nas costas e segurando na mão de sua mãe, me faz relembrar minha infância de momentos despreocupados e felizes, de alegres brincadeiras e de incansável vigor infantil.
Ao adentrar nesse universo, nesse palco composto de brincadeiras, descompromissos e irresponsáveis travessuras, vem-me à memória as muitas brincadeiras que ao longo da minha infância vivi.
Eram três as minhas brincadeiras preferidas e todas eram recriminadas pelos meus irmãos, pois (segundo eles), eram brincadeiras de "meninos" e não de "meninas": "fura- bucho", "bolinha de gude" e minha grande paixão: "futebol".
Um fato interessante, engraçado e doloroso, ocorreu-me, certo dia ao brincar com meus dois irmãos "machistas" (até hoje não entendo como eles deixavam que eu brincasse com eles), ao lançar o "fura- bucho" (objeto confeccionado artesanalmente com um pedaço pequeno de cabo de vassoura e um objeto pontiagudo no centro) ao chão, este enfia-se certeiro no meu lindo pezinho, foi um desespero!...meus irmãos desesperados, correm a tirar o "brinquedo" de onde não deveria estar e aproveitam a oportunidade para mais uma vez convencerem-me a procurar brincadeira de "menina".
É claro que esse episódio não me impediria de brincar muitas e muitas vezes, obviamente sob os protestos dos dois irmãos. ...(continua)
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